Depois de bastante tempo voltei ao Beira Rio. Minha ausência ao estádio era a minha forma solitária de protestar contra o que vem ocorrendo com o meu Inter.
Hoje, movidos pela falta de opção de final de domingo, decidimos ir ao jogo. Ao chegar, como sempre, nos dirigimos para o setor onde se concentra a Guarda Popular Colorada, uma linda torcida que canta e incentiva o time por mais de 90 minutos.
Qual minha surpresa, o túnel do Portão 7 estava silencioso. Nas arquibancadas, os instrumentos esperavam solitários os “guerreiros da torcida Popular”. Foi então que recebi um panfleto e, imediatamente resolvemos nos somar a proposta que vinha no folheto.
Com o título “Enquanto os torcedores sofrem, jogadores, cartolas e TV’s lucram!”, o volante comentava que o resultado dentro de campo atualmente é uma preocupação quase exclusiva da torcida. São os torcedores que sustentam financeiramente o clube que “transforma a paixão que vinha de berço numa máquina caçadora de receitas”.
A proposta do panfleto era silenciar nos primeiros minutos do jogo, algo inédito na mais alegre torcida colorada. “Não cantem, não vibrem, não comemorem, não xinguem, não esbravejem. Sejamos mudos, sejamos ausentes”... O panfleto afirma que é assim que a torcida é vista, ou seja, não é notada, é ausente. E avisa: “logo, logo esta ausência será de corpo e não apenas de voz e gestos”.
Uma imensa faixa ficou estendida durante todo o jogo lembrando que “ESTA CAMISETA NÃO MERECE ESTES MERCENÁRIOS” e o canto que, depois dos quinze primeiros minutos de silêncio foi: “Isso é o Inter, ponha mais raça porque isso é o Inter, honre a camisa porque isso é o Inter e só assim seremos campeões”.



